Que mundo é esse que permite que uma criança inocente morra de fome, literalmente. Enquanto pessoas desfilam com Porsches ou Ferraris. O discurso elitista é: “mas eu trabalhei para alcançar tudo que eu tenho”. Sim, parabéns! Mas será que as oportunidades de competição são minimamente semelhantes?
Dizer que as crianças brasileiras que vivem no semi-árido são menos inteligentes é um absurdo abominável. Como estudar de barriga vazia? Sentindo o roncar incomodar a cada sílaba desvendada com esforço. E o desenvolvimento orgânico, como um pequeno ser pode crescer devidamente com a ausência de uma série de nutrientes?
Crianças são as maiores vítimas de todo esse sistema. Como um prefeito de um município pobre consegue roubar e se envolver em desvios de verba, enquanto crianças lindas, com um olhar e um sorriso triste faltam cortar o coração daqueles que as observam com uma doçura melancólica gritante.
Nós brasileiros tão decepcionados com a política em geral, não observamos a importância dessas decisões. Leis existem, algumas deveriam ser elaboradas, mas por que a Justiça é tão omissa com relação à miséria absurda que vivemos no Brasil?
A economia brasileira se fortaleceu, produzimos mais, exportamos mais, ganhamos grau de investimento, dizem por aí que deveríamos fazer parte do Grupo dos Países ricos do mundo. Ótimo. E o semi-árido brasileiro e as favelas? Não são parte do Brasil? Quem se beneficia com todos esses avanços?
Felizmente, o Governo Lula tem olhado para os pobres apesar de todas as críticas constantes. Novamente o discurso elitista é: “Temos que ensinar a pescar e não dar o peixe pronto”. Sim, concordo, acredito que 90% dos auxiliados pelo programa Bolsa Família gostariam de trabalhar e poder comprar o necessário. Mas como trabalhar de barriga vazia? Como uma mãe pode ir trabalhar deixando em casa 10 filhos, (cadê a política de planejamento familiar?) todos famintos, comendo barro para driblar a ausência total de comida no estômago.
Lidar com a questão da fome requer imediatismo, SIM! Convido aqui os amigos a fazerem um jejum, seja estilo Ramadã, seja o período da Quaresma. Para buscar entender o outro é fundamental se colocar no lugar do outro. Fiquem sem comer, jejuando e refletindo sobre aqueles cujo jejum é uma imposição diária e não uma opção espiritual de elevação.
Um ser humano que, ao ver uma criança narrando sua trajetória de fome com um sorriso no rosto, não consegue se sensibilizar, ou deixou-se tornar indiferente ou não é minimamente humano.
O que podemos fazer para amenizar essa tragédia infantil brasileira, africana, mundial...
Até breve.
H. M.
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